sexta-feira, 20 de março de 2009
Was that your idea of love?
Era essa a tua ideia de amor?
Essas mentiras brilhantemente compostas
Elas surpreenderam-me imenso
Era essa a tua ideia de amor?
Essa procura incessante de podres
Essa procura de motivos onde doía –
Era essa a tua ideia de amor?
E todas essas acusações que fizeste
Sobre as maneiras subtis em que foste traída
Era essa a tua ideia de amor?
Parecia que me afogava. Parecia uma imersão
Num mar escuro de culpa
Até eu descobrir que era tudo um desvio.
Tu tinhas um jogo secreto.
Tu tinhas um jogo a jogar e tu jogavas duro.
Era essa a tua ideia de amor?
Engraçado como nunca a vi aproximar-se de nós
Esta vontade de vingança e ódio
Engraçado como por tanto tempo continuei a pensar
Deve haver uma maneira simples de pôr as coisas bem.
E o mais engraçado, pensar em ti
A fingir procurar conselhos profissionais
Quando o que tu querias era
A qualquer custo para quem quer que fosse,
A qualquer preço
Para mim...
Era essa a tua ideia de amor?
Era essa a tua ideia de amor?
Ressentimento disfarçado de encanto
Esse cuidado em planear futuros estragos
Era essa a tua ideia de amor?
Esse engenioso uso de provas
Para quebrar cada última defesa
Era essa a tua ideia de amor?
Esse conjurar do mal a partir do bem
Esse imitar de vítima
Era essa a tua ideia de amor?
Certamente mereces os parabéns
Por uma campanha eficiente
Gostaria de saber as regras da rendição imediata
Mas suponho que as tornaste óbvias
Elas vão ser duras
É esta a tua ideia de amor?
Livra-te de mim, eu peço-te. Deixa-me ser.
Diz-me outra vez que não queres mais de mim.
Era esse o entendimento?
Era essa a soma?
Ou há mais disto –
Há mais disto por vir?
É esta a tua ideia de amor?
É esta a tua ideia de amor?
Livra-te de mim, eu peço-te. Deixa-me ser.
Diz-me outra vez que não queres mais de mim.
É esta a tua ideia de amor?
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
The ballad of Ira Hayes/ A balada de Ira Hayes.
About a brave young indian you should remember well
From the tribe of pima indians, a proud and a peaceful band
They farmed the phoenix valley in Arizona land
Down their ditches for a thousand years the water grew Ira's people crops
Till their white man stole their water rights and the sparkling water stopped
Now Ira's folks were hungry and their land grew crops of weeds
But when war came he volunteers and forgot, the white man's greed
Call him, drunken Ira Hayes, he won't answer anymore
Not the whiskey-drinking indian or the marine who went to war
Yes, call him, drunken Ira Hayes, he won't answer anymore
Not the whiskey-drinking indian or the marine who went to war.
[Refrain]
They started up Iwo Jima hill, 250 men
But only 27 lived to walk back down that hill again
And when the fight was over and the old glory raised
One of the men who held it high was the indian Ira Hayes
[Refrain]
Now Ira returned a hero, celebrated throughout the land
He was wined and speeched and honoured, everybody shook his hand
But he was just a pima indian, no money crops, no chance
And at home nobody cared what Ira had done and the wind did the indian's
Dance
[Refrain]
And Ira started drinking hard, jail was often his home
They let him raise the flag there and lower it like you'd throw a dog a bone
He died drunk early one morning, alone in the land he had fought to save
Two inches of water in a lonely ditch was the grave for Ira Hayes
[Refrain]
Yes, call him, drunken Ira Hayes, but his land is still as dry
And his ghost is lying thirsty in the ditch where Ira died
[Refrain]
Covers of this song were made by such man as Bob Dylan or Johnny Cash.
Sobre um corajoso jovem índio de que se devem lembrar bem
da tribo dos Índios Pima, uma orgulhosa e pacífica irmandade
Que cultivou o vale de Phoenix por terras do Arizona
Pelas suas covas, durante milhares de anos, a àgua cultivou as colheitas do povo de Ira
Até que o Homem Branco roubou os seus direitos e a água parou
Agora, os companheiros de Ira estavam esfomeados e as suas quintas ganharam ervas daninhas
Mas quando a guerra veio, ele voluntaria-se, e esquece a ganância do Homem Branco.
Chamem-no, bebâdo Ira Hayes, ele não responde mais
Não o índio que bebia wishky, ou o marinheiro que foi para a guerra
Sim, chamem-no, bebâdo Ira Hayes, ele não responde mais
Não o índio que bebia wishky, ou o marinheiro que foi para a guerra
[Refrão]
Começaram na colina de Iwo Jima, duzento e cinquenta homens
Mas apenas vinte e sete sobreviveram para descer a colina outra vez
E quando a batalha acabou e a "Old Glory" foi levantada
Um dos homens que a levantou bem alto foi o índio Ira Hayes
[Refrão]
Agora, Ira regressou um herói, celebrado por todo o País
Foi brindado, fizeram-lhe discursos, foi honrado, todos o cumprimentaram
Mas ele era apenas um índio Pima, sem água, sem colheitas, sem sorte
E, em casa, ninguém se preocupava com o que Ira tinha feito e o vento fez a dança
índia.
[Refrão]
E Ira começou a beber muito, a cadeia era muitas vezes a sua casa
Deixaram-no levantar a bandeira lá e baixá-la como se atira um osso a um cão.
Morreu bebâdo, cedo, numa manhã, sozinho na terra que tinha lutado para salvar
Dois dedos de água numa cova solitária foi a sepultura para Ira Hayes
[Refrão]
Sim, chamem-no, bebâdo Ira Hayes, mas a sua terra continua tão seca como antes
E o seu fantasma está prostrado na sepultura onde Ira morreu
[Refrão]
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Não Podes Ter tudo - Barbara Ras
Mas podes ter a figueira e as suas folhas gordas como mãos de palhaço
Enluvadas de verde. Podes ter o toque de um único dedo de alguém de 11 anos
Na tua bochecha, acordando-te à uma da manhã para dizer que o hamster voltou.
Podes ter o ronronar do gato e o olhar cheio de alma
Do cão preto, o olhar que diz, Se eu pudesse morderia
Todas as mágoas até que fugissem, e quando é Agosto
Podes tê-lo, Agosto, e de modo abundante. Podes ter amor,
Embora, frequentemente vá ser misterioso, como a espuma branca
Que borbulha no cimo do pote de feijões em cima do feijão vermelho
Até que te apercebas que o gémeo da espuma é o sangue.
Podes ter a pele no centro entre as pernas de um homem,
Tão sólida, tão como uma boneca. Podes ter a vida da mente
Brilhando ocasionalmente em vestimentas de padre, nunca admitindo mesquinhez,
Nunca se rebaixando para subornar o guarda mal-humorado que te dirá
Que todas as estradas estreitam na fronteira.
Podes falar numa língua estrangeira, ás vezes,
E pode significar algo. Podes visitar a placa no túmulo
Onde o teu pai chorou abertamente. Não podes trazer os mortos de volta,
Mas podes ter as palavras perdoar e esquecer de mão dada
Como se quisessem passar uma vida juntas. E podes estar grata
Pela maquilhagem, a maneira como te beija a face, metade especiaria, metade amnésia, grata
Por Mozart, as suas muitas notas correndo umas contra as outras, de encontro à alegria, por toalhas
Sugando as gotas na tua pele limpa, e por sedes profundas,
Pelo maracujá, pela saliva. Podes ter o sonho,
O sonho do Egipto, os cavalos do Egipto e tu a cavalgares na areia quente.
Podes ter o teu avô sentado na beira da tua cama,
Ao menos por um bocado, podes ter as nuvens e as cartas, o saltar
De distâncias, e comida Indiana com molho amarelo como o nascer do sol.
Não podes contar com a sorte para te escolher do meio da multidão
Mas aqui está a tua amiga para te ensinar como saltar alto,
Como te atirares sobre a barra, de costas,
Até que aprendas sobre o amor, sobre a doce rendição,
E aqui estão pervincas, autocarros que se ajoelham, campos na mente
Tão reais como África. E quando a idade adulta te falhar,
Ainda podes mandar regressar a memória do cisne preto no lago
Da tua infância, o pão de centeio com manteiga de amendoim e bananas
Que a tua avó te dava enquanto o resto da família dormia.
Há uma voz que podes mandar voltar quando quiseres, como a da tua mãe,
Irá sempre sussurrar, não podes ter tudo,
Mas há isto.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Nobody Home / Ninguém em Casa
I suppose the mirror told you
That I was alive if you can call
This living. You were the last
Person that I was expecting.
I wonder whose heart he brought home
And what heroic story he spun.
Did he meet some poor peasant
On the forest path and wait
Until her back was turned or did he find
Something that was already dead and hack
Its heart out, puking everywhere, and
Thanking God that his hands were clean
And his conscience as clear as spring water
As if he hadn’t already fucked me over
By leading me into this foul, dark place?
I’ll bet he turned as pale as a geisha girl
When the mirror gave us both away.
Ha bloody ha – how did he dig himself
Out of that great big hole?
And I don’t much care that you’re at my door
Hammering like a fiend at the wood
With a knife in your hand instead
Of the nice, juicy apple and seven little men
And my prince dead in your wake.
You’re wasting your breath. There’s
Nobody home. Take a walk across the lawn,
Look in the lovely glass-house. Look
At all the flowers and cards my mourners left
Before you so rudely slaughtered them.
And for God’s sake, shut up.
My dreams are so sweet now.
I think I have earned my eternal rest.
Tracey Herd
NINGUÉM EM CASA
Suponho que o espelho te disse
Que eu estava viva se podes chamar
A isto de viver. Tu eras a última
Pessoa que eu esperava.
Pergunto-me de quem era o coração que ele trouxe para casa
E que história heróica ele teceu.
Terá ele encontrado alguma camponesa pobre
No caminho da floresta e esperado
Até que estivesse de costas ou terá ele encontrado
Algo que já estava morto e arrancou-lhe
O seu coração, vomitando em todos os sítios, e
Agradecendo a Deus por as suas mãos estarem limpas
E a sua consciência tão clara como a água primaveril
Como se ele já não tivesse dado cabo de mim
Ao guiar-me até este lugar sombrio e obsceno?
Eu aposto que ele ficou tão pálido como uma rapariga gueixa
Quando o espelho nos denunciou aos dois.
Ah maldito ah – como é que ele cavou até sair
Daquele buraco imenso?
E eu não me importo muito que tu estejas à minha porta
Martelando como um demónio na madeira
Com a faca na tua mão ao invés
Da bonita, sumarenta maçã e sete anões
E o meu príncipe morto no teu acordar.
Estás a perder o teu tempo. Não está
Ninguém em casa. Dá um passeio pelo
relvado,
Olha para a encantadora casa de vidro. Olha
Para todas as flores e cartões que os que me choram deixaram
Antes de tu tão rudemente os assassinares.
E pelo amor de Deus, cala-te.
Os meus sonhos são doces agora.
Acho que fiz por merecer o meu descanso eterno.
Tracey Herd
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
In this I believe/ No que acredito.
Much is driven by this desire. Nations are built, wars are fought, gangs are formed, political parties are born. Personal actions, too — smaller and more delicate — follow suit: Mortgages are signed, marriage contracts sealed, birth certificates filled in, death certificates handed out. Comfort comes through the signature on the dotted line. Some even take their earthly paraphernalia — a grandfather's watch, a favorite hat, a love poem — to their graves, foolish but affecting codas to soon-to-be forgotten lives.
Of course permanence is an illusion. Borders shift, fortunes fall, colors fade, lovers drift, spouses hang by the thread of that dotted line. What once seemed vital gets forgotten.
As a teen I carried Nausea by Sartre everywhere I went, until I actually began to feel nauseated and returned it to the library, unfinished. Existential nihilism, I decided, was not for me. What I came to believe, as the years progressed, was that the desire to affirm one's existence is not in itself foolish; the desire to do so through permanence is. I find beauty in life's ephemera, though like most people I am afraid of loss and endings.
Still, despite the only certitude I have — the knowledge that I will die — I find pleasure and love, if not meaning. Often, this happens when an experience evokes an unbroken joy — a ray of light beaming into a warm room on a winter morning, the uninterrupted presence of someone I love next to me, and things, less concrete — a memory, a song, a word.
In his Myth of Sisyphus Albert Camus likens our absurd existence to the fate of the Greek mythological figure, whose task was to push a rock up a mountain, watch it roll down, only to begin again, fully aware of the futility of his condition. Camus concludes that "the struggle itself toward summits is enough to fill a man's heart. One must imagine Sisyphus happy."
Like Sisyphus, I get up every morning, grab a cup of coffee, and sit at my desk. I stare at the lines from the poem "Tobacco Shop" by Fernando Pessoa, pasted on my wall. Pessoa writes:
But the Tobacco Shop owner has come to the door and stands there.
I look at him, straining my half-turned neck,
Straining my half-blind soul.
He'll die and so will I.
He'll leave his signboard, I'll leave poems.
A little later the street will die where his signboard hung,
And so will the language my poems were written in.
I begin writing and I think, "Yes, dear Fernando, but so what? My lines exist for now, not even, mind you, in my original language, which has not yet vanished, but no doubt will in my bloodline." And if I were not overly concerned with the hazards of smoking, I would light up a cigarette. »
«Sou uma filha da revolução – infelizmente, não do tipo “flower power”, mas do poder do turbante. Cresci com absolutos: Ama o rei, abaixo o rei, ama o Imã. Lembro-me, ao fazer o caminho para a escola na Teerão dos anos 80 por entre slogans espalhados por paredes e cartazes, da crença primitiva, ou melhor, do sentimento infantil do que, eventualmente, se tornaria uma crença: Todos queremos provar que existimos.
Muito é guiado por este desejo. Nações são construídas, guerras são travadas, uniões são formadas, partidos políticos nascem. Acções individuais, também – pequenas e mais delicadas - seguem o mesmo caminho: hipotecas são assinadas, contractos de matrimónio selados, certificados de nascença preenchidos, certificados de morte distribuídos. O conforto vem da assinatura no picotado. Alguns levam até a sua parafernália – um relógio da avó, o chapéu favorito, um poema de amor – para as suas sepulturas, tontos mas pontos finais em vidas para rapidamente serem esquecidas.
Claro que a permanência é uma ilusão. Fronteiras mudam, fortunas caem, cores desvanecem, esposas aguentam pelo fio desse picotado. O que certo dia pareceu vital é esquecido.
Em adolescente, andava com A Náusea de Sartre para todo o lado, até que comecei a sentir-me nauseada e entreguei-o de volta à livraria, por acabar. O niilismo existencialista, decidi, não era para mim. O que acabei por acreditar, com o passar dos anos, foi que o desejo de afirmar a existência de alguém não é totalmente desprovido de sentido; o desejo de o fazer pela permanência, sim. Vejo beleza na efemeridade da vida, apesar de, como maior parte das pessoas, ter medo da perda e de finais.
Ainda assim, apesar da única certeza que tenho – a certeza de que irei morrer - encontro prazer e amor, se não sentido.
Não raras vezes, isto acontece quando uma experiência evoca uma felicidade inquebrável - um raio de luz brilhar num quarto quente numa manhã de Inverno, a ininterrupta presença de alguém que amo perto de mim e coisas menos concretas – uma memória, uma música, uma palavra.
No seu Mito de Sísifo, Albert Camus compara a nossa absurda existência ao destino da figura mitológica grega, cuja tarefa era empurrar uma pedra acima de uma montanha, vê-la descer, para começar novamente, completamente consciente da futilidade da sua condição. Camus concluía que " A luta em si, para atingir um objectivo é suficiente para preencher o coração do Homem. Devemos imaginar Sísifo feliz.”
Como Sísifo, levanto-me todas as manhãs, bebo um café, e sento-me na minha secretária. Fixo os versos do poema “A Tabacaria” de Fernando Pessoa, colados na minha parede. Pessoa escreve:
Mas o dono da Tabacaria veio à porta e ficou lá.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada,
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei poemas.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Começo a escrever e penso, “Sim, querido Fernando, e então? As minhas linhas existem por agora, nem sequer, vê bem, na minha língua original, que ainda não desapareceu, mas, sem dúvida, irá na minha geração.” E se não estivesse demasiado preocupada com os perigos de fumar, acenderia um cigarro.»
Dalia Sofer.
domingo, 4 de janeiro de 2009
I am the escaped one / Eu sou o fugitivo*
I am the escaped one,
After I was born
They locked me up inside me
But I left.
My soul seeks me,
Through hills and valley,
I hope my soul
Never finds me.
Eu sou o fugitivo
Eu sou o fugitivo
Depois de ter nascido
Fecharam-me dentro de mim.
Mas eu fugi.
A minha alma procura-me
Por montes e vales.
Espero que a minha alma
Nunca me encontre
Fernando Pessoa
*versão original em inglês
sábado, 3 de janeiro de 2009
Lost
Chorus
I'm just lost
Estou apenas perdido
Every river that I tried to cross
Todos os rios que tentei atravessar
Every door that I tried was locked
Cada porta que tentei abrir estava trancada
I'm waiting till the shine wears off
Estou à espera que o brilho se apague